“Quem sabe mito sabe mais!”
“Katherine Barreto, arteterapeuta baiana.
Participante dos encontros Mito e Mente.”
O Projeto

O Projeto

“Quem sabe mito sabe mais!”

A linguagem do mito é uma linguagem plena de sentidos novos, aberta a constantes reinterpretações e que nos faz perceber de forma clara e lúdica as complexidades da alma humana. Quem conta sobre a própria impressão acerca de Hades, Hera, Afrodite ou Zeus não está falando tanto sobre o mito quanto está falando de si mesmo. Nossas interpretações, irritações, nosso fascínio e nossa repulsa diante dessas histórias nos dão um panorama da nossa própria alma. O expansivo complexo de poder de Zeus não casa à toa com o coercitivo complexo de controle de Hera, não é à toa que o deus da guerra foi uma criança com pais permissivos, é significativo que uma deusa como Atená proteja menos as mulheres do que um deus como Dioniso.

O projeto Mito e Mente nasceu dessa necessidade de contar o mito com base em suas fontes primárias, na leitura dos autores gregos Homero, Hesíodo, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e outros, de ir à raiz de como essas histórias chegaram a nós e, aí sim, abrir para o debate criativo e dinâmico com participantes. Porque se Deméter era a deusa mãe ("Déa Mater") da ilha de Creta e isso fica muito longe no tempo e no espaço, seu comportamento arquetípico de proteção da cria, de desespero diante do seu desaparecimento e de negação da sua maturidade está em muitas mães (e pais) de adolescentes hoje, assim como estará daqui a mil anos. Porque se há uma força que, determinando a ordem e a lei, como Zeus, pode vir a se tornar bestial, cruel e opressora, haverá também sempre uma força contrária que vai trazer a chama da revolução, da liberdade e da desobediência, como Prometeu.

Na medida em que o mito trata de comportamentos arquetípicos, de padrões de ação, reação e resolução dos dramas universais da humanidade, conhecer o mito é conhecer o homem e, é claro, seus produtos, como a cultura, a política, a psicologia, a arte, a música, o cinema, a literatura... "Mythós" significa "narrativa sagrada", uma história que é sagrada não porque é ditada por uma divindade para além de todos nós, mas porque dá sentido - como significado e como trajetória - para a nossa vida aqui e agora. Por isso "quem sabe mito, sabe mais"!

Os Encontros

“O mapa não é o território.”


Desde muito cedo me incomodava quando as pessoas me perguntavam sobre o quê eu estava pensando. Ora! Minha mente é o refúgio mais sagrado da minha intimidade! E eu já tinha desde pequeno essa percepção. Essa consciência da riqueza do segredo e do sagrado que se guarda na cabeça. Com o tempo fui percebendo o quão fascinante é a capacidade humana de, diante dos mesmos fatos, fazer interpretações completamente diferentes, às vezes até opostas, mas, em geral, muito complementares.


Um filósofo e linguístca chamado Alfred Korzybski definiu muito bem essa minha inquietação na frase "O mapa não é o território". O que ele quis dizer com isso é que a nossa leitura da realidade - o "mapa" que cada um de nós usa para servir de referência para nossas ideias, conclusões e atitudes - não é a realidade em si. Cada um de nós tem um "mapa" diferente e pensa, sente, age e reage através desse mapa. A melhor maneira de nos comunicarmos é definir que, primeiro, meu mapa não é o território - ou seja, minhas certezas não são eternas, meu mapa é só um mapa - e, segundo, a partir daí, seguir curioso em conhecer os outros mapas! Em conhecer outras pessoas! Por isso nós temos Encontros Mito e Mente, não aulas. Nos encontros cada um vem, a partir de suas trajetórias e vivências, suas histórias, conhecimentos e estranhezas, encontrar outro humano e trazer para ele novas pinceladas no nosso mapa geral! Através dos encontros mito e mente muita percepção se aguça, muita gente se reconhece e redescobre. Muito fascínio denuncia a posição fechada da nossa cabeça tanto quanto muito horror. É na troca dessas leituras, na conversa franca e aberta que consideramos os limites do espectro, a luz e sombra de cada mito e de cada mente. Os encontros são espaços de troca e realinhamento de percepções, um laboratório mental das nossas certezas e necessidades de crescimento e mudança.

A Produção

“Se temos acesso às fontes, vamos nelas. ”

Se você já brincou de "telefone sem fio" você sabe como se omite, generaliza e distorce uma informação passada adiante por várias pessoas. É por isso que é muito mais simples e mais recomendado estudar tradições escritas do que tradições orais. Por isso também, nos encontros Mito e Mente, nós estudamos primeiro as fontes primárias e secundárias: os escritores gregos que registraram essas histórias pela primeira vez. Então lemos poetas gregos como Homero e Hesíodo, textos clássicos como a Ilíada, a Odisséia, a Teogonia, os escritores gregos de tragédias e comédias como Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e demais autores. Aí sim, lemos, interpretamos e nos baseamos nos autores que escreveram baseados nessas leituras. Parece óbvio, mas na maior parte das vezes temos materiais didáticos ou até livros sobre mitologia feitos por quem nunca leu Homero e cia, mas apenas se baseia unicamente nas leituras de outras pessoas. É o caso do telefone sem fio. Se temos acesso às fontes, vamos nelas. Depois a gente ouve todo mundo.

Na produção das apostilas Mito e Mente nós temos então, nessa ordem, o estudo dos seguintes autores:

• Poetas gregos clássicos: Homero, Hesíodo;
• Tragediógrafos (autores do teatro grego): Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes, Lícofron;
• Estudiosos renomados de mitologia: Junito de Sousa Brandão, Joseph Campbell, Marcel Détienne, Jean Pierre Vernant, Pierre Vidal Naquet, Karen Armstrong, Paolo Scarpi e Robert Graves;
• Estudiosos de religiões comparadas e panteísmos: Mircea Eliade, Maria Lamas;
• Autores gregos contemporâneos: Karl Kerenyi e Menelaos Stephanides.



Procuramos aqui nos cercar das melhores referências, nada de "achismos", "invencionices" ou de catálogos de erros e preconceitos como o "Livro de Ouro da Mitologia", por exemplo. Aqui trabalhamos com seriedade e tratamos o mito com o respeito que ele merece.

Através dessas leituras estruturamos o mapa mental dos temas abordados por cada mito, o silenciamento e ridicularização do feminino em Cassandra, a fofoca e a invisibilidade da verdadeira Helena por trás e para além da beleza, o filho renegado pela mãe em Hefesto, a necessidade do respeito com o silêncio e a introversão alheia dom Hades, a dificuldade de lidar com um filho deficiente no Minotauro. O mito é sempre muito mais do que já foi lido por qualquer autor. O mito é vivo enquanto puder ser reinterpretado, repensado e principalmente enquanto nos ajudar a perceber e reler de forma mais criativa e sincera as nossas relações cotidianas.

A partir do mapa mental feito com a raiz mitológica das histórias desenvolvemos os pontos e correlações que desenvolveremos com o nosso cotidiano. E é nesse ponto que, depois de pesquisar temas como feminismo, comportamento, arte, política, psicologia, antropologia, tecnologia, poder, filosofia, propaganda, economia e muitos outros, desenvolvemos as nossas apostilas. Através dos materiais que desenvolvemos nosso participante vai perceber que tentar desvencilhar o mito de todas essas áreas do conhecimento é como sentar com uma amiga para tomar uma cerveja, ouvir a frase "ah, mas antes de me conhecer ele não era nada! Não sabia nem usar a máquina de lavar" e achar que é um "caso isolado", que ela nunca ouviu ou ouvirá essa mesma história muitas e muitas vezes. Quem já leu Os Argonautas, quem conhece o mito de Medéia e Jasão, já sabe onde essa história pode dar...

Os encontros são produzidos para serem grandes fóruns, com debates criativos e dinâmicos. Para isso as apostilas devem ser lidas com antecedência, por isso entregamos elas pelo menos uma semana antes dos nossos encontros. A melhor parte é sempre o debate. Mas para que o debate seja bom é preciso respeitar e salvaguardar a essência do mito. Por isso admito mesmo minha impaciência com invencionices e leituras parciais. Só poderemos entender a complexidade do mito se abrirmos mão da rotulação fácil, da leitura rasa e principalmente de boa parte dos nossos preconceitos.

Um bom resumo sobre como desenvolvemos o nosso material é: Eu respeito os mitos acima de tudo e, como criador das apostilas, só faço um material que gostaria de receber.

Agenda e Inscrições

Inscreva-se e receba já as suas apostilas!

  • Héstia (on line)

    24 Julho - 20:00h

    Héstia é a mais velha das irmãs de Zeus, Hera e companhia, mas tem poucos mitos, embora abundem as referências arqueológicas de seu culto...

  • Hades (on line)

    25 Julho - 20:00h

    Ensimesmado, mergulhado no útero da terra, onde é conteúdo e continente, região e regente, Hades se mistura num amálgama de tempo e espaço primordiais. Personifica um tempo de reflexão isolada, de percepção íntima, intuição e transcendência...

  • Grandes Deusas: Afrodite (on line)

    31 Julho - 20:00h

    Nada demonstra melhor o caráter arquetípico da deusa do amor e sedução do que o fato de que a encontramos em toda parte, em vários povos...

  • Ares (on line)

    01 Agosto - 20:00h

    Ares, o poderoso e agressivo deus da guerra, sempre foi visto como “o outro”, como aquele incômodo não pertencente, como aquele que se deve tolerar, nunca como aquele que se deve respeitar, idolatrar ou aceitar...

  • Grandes Deusas: TÉTIS (on line)

    07 Agosto - 20:00h

    Mãe de um dos maiores heróis da mitologia grega e mãe adotiva de um dos maiores deuses do Olimpo, mesmo sem nunca ter sido uma das figuras mais famosas, Tétis é, de longe, uma das figuras mais complexas e interessantes como divindade representante das várias facetas do processo de maternagem...

  • Apolo (on line)

    08 Agosto - 20:00h

    Ao surgir durante a noite, na Ilíada, Febo Apolo, deus do arco de prata (canto1), brilha como a lua. Será preciso levar em conta a evolução dos espíritos e a interpretação dos mitos para que se possa reconhecer nele, muito mais tarde, o deus solar, o deus de luz, e para entender que seu arco e suas flechas sejam comparados ao sol com seus raios...

  • Aguarde os
    Próximos
    Eventos

Galeria

Quem sabe mito, sabe mais!

Threads

Illustration

Explore

Graphic Design

Finish

Identity

Lines

Branding

Southwest

Website Design

Window

Photography

Contato

Comece hoje a construir a jornada do seu legado!